Isso também passará!

Se você está passando por uma fase difícil, leia este conto Sufi, e se estiver bem leia também, pois isso também passará!

Um Dervish, depois de uma árdua e longa viagem através do deserto, chegou por fim à civilização. O povoado se chamava Colinas Arenosas e era quente e seco. Não havia muito verde, exceto feno para o gado e alguns arbustos. As vacas eram o principal meio de vida das pessoas de Colinas Arenosas. O Dervish perguntou educadamente a alguém que passava se havia algum lugar onde poderia encontrar comida e abrigo para aquela noite.

– Bem, disse o homem coçando a cabeça – não temos um lugar assim no povoado, mas estou certo de que Shakir ficará encantado de lhe brindar com sua hospitalidade esta noite.

Sufismo

Então o homem indicou o caminho da fazenda de propriedade de Shakir, cujo nome significa “o que agradece constantemente ao Senhor”.
No caminho até a fazenda, o Dervish parou perto de um pequeno grupo de anciões que estavam fumando cachimbo e eles confirmaram a direção. Eles disseram que Shakir era o homem mais rico da região.
Um dos homens disse que Shakir era dono de mais de mil vacas.

– E isso é maior do que a riqueza de Haddad, que vive no povoado ao lado.

Pouco tempo depois o Dervish estava parado em frente a casa de Shakir a admirando. Shakir, que era uma pessoa muito hospitaleira e amável, insistiu para que o Dervish ficasse por alguns dias em sua casa.
A mulher e as filhas de Shakir eram igualmente amáveis e deram o melhor para o Dervish. Inclusive, ao final de sua estadia, lhe deram uma grande quantidade de comida e água para sua viagem.
No seu caminho de volta para o deserto, o Dervish não conseguia parar de se perguntar o significado das últimas palavras de Shakir.
No momento da despedida o Dervish havia dito:

– Dê Graças a Deus pela riqueza que tens.

– Dervish – havia respondido Shakir – não se engane pelas aparências, porque isto também passará.

Durante o tempo em que havia passado no caminho Sufi, o Dervish havia compreendido que qualquer coisa que ouvisse ou visse durante sua viagem lhe oferecia uma lição para aprender, e, portanto, valia a pena considerá-la. Além de tudo, essa era a razão pela qual havia feito a viagem, para aprender mais.
As palavras de Shakir ocuparam seus pensamentos e ele não estava seguro de ter compreendido completamente o seu significado.

Quando estava sentado sob a sombra de um arbusto para rezar e meditar, recordou do ensinamento Sufi sobre guardar silencio e não se precipitar em tirar conclusões para finalmente alcançar a resposta. Quando chegasse o momento, compreenderia, já que havia sido ensinado a permanecer em silêncio e sem fazer perguntas. Para tanto, fechou a porta dos seus pensamentos e submergiu sua alma em um estado de profunda meditação.

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E assim se passaram mais cinco anos, viajando por diferentes terras, conhecendo pessoas novas e aprendendo com suas experiências no caminho. Cada nova aventura oferecia uma lição a ser aprendida. Entretanto, como requeria o costume Sufi, permanecia em silêncio, concentrado nas ordens do seu coração.

Um dia, o Dervish voltou a Colinas Arenosas, o mesmo povoado onde havia passado alguns anos antes. Se lembrou de seu amigo Shakir e perguntou por ele.

– Está vivendo no povoado ao lado, a dez milhas daqui. Agora trabalha para Haddad – respondeu um homem do povoado.

O Dervish lembrou surpreendido que Haddad era o outro homem rico da região. Contente com a ideia de voltar a ver Shakir outra vez, se apressou para ir ao povoado vizinho. Na maravilhosa casa de Haddad, o Dervish foi bem recebido por Shakir, que agora parecia muito mais velho e estava vestido em andrajos.

– O que lhe aconteceu? – quis saber o Dervish.

Shakir respondeu que uma enchente três anos antes o havia deixado sem vacas e sem casa; assim ele e sua família se tornaram empregados de Haddad, que sobreviveu à enchente e agora desfrutava da posição de homem mais rico da região. Entretanto, esta alteração na sorte não havia mudado o caráter amistoso e atencioso de Shakir e de sua família.
Cuidaram amavelmente do Dervish na sua cabana durante os dois dias e lhe deram comida e água antes dele sair.
Na despedida, o Dervish disse:

– Sinto muito pelo que aconteceu com você e sua família. Mas sei é que Deus tem um motivo para aquilo que faz..
– Mas não se esqueça, isto também passará.

A voz de Shakir ressoou como um eco nos ouvidos do Dervish. O rosto sorridente do homem e seu espírito tranqüilo não abandonavam seu pensamento.

– O que ele quer dizer com esta frase desta vez?

O Dervish sabia agora que as últimas palavras de Shakir na sua visita anterior se anteciparam às mudanças que ocorrerem. Mas dessa vez, se perguntava o que poderia justificar um comentário tão otimista. Assim deixou a frase de lado outra vez, preferindo esperar pela resposta.

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Passaram meses e anos, e o Dervish, que estava ficando velho, continuou viajando sem nenhuma intenção de parar.
Curiosamente, suas viagens sempre o levavam de volta ao povoado onde vivia Shakir. Assim sendo, demorou sete anos para voltar a Colinas Arenosas e Shakir estava rico outra vez. Agora vivia na casa principal da propriedade de Haddad e não na pequena cabana.

– Haddad morreu há dois anos – explicou Shakir – e, como não tinha herdeiro, decidiu deixar sua fortuna para mim como recompensa dos meus leais serviços.

Quando estava terminando sua visita, o Dervish se preparou para a viagem mais importante de sua vida: cruzaria a Arábia Saudita para fazer sua peregrinação a pé até Meca, uma antiga tradição entre seus companheiros. A despedida de seu amigo não foi diferente das outras vezes. Shakir repetiu sua frase favorita:

– Isto também passará.

Depois da peregrinação, o Dervish viajou à Índia. Ao voltar a sua terra natal, Pérsia, decidiu visitar Shakir mais uma vez para ver o que havia acontecido com ele. Assim, mais uma vez se pós em marcha para Colinas Arenosas. Mas em vez de de encontrar seu amigo Shakir, lhe mostraram uma humilde tumba com a inscrição “Isto também passará”. O Dervish ficou ainda mais surpreendido do que das outras vezes, quando o próprio Shakir havia pronunciado estas palavras.

– As riquezas vem e as riquezas se vão – pensou o Dervish – mas, como pode trocar um túmulo?

A partir de então o Dervish adquiriu o costume de visitar a tumba de seu amigo de tantos anos e passava algumas horas meditando na morada de Shakir. Entretanto, em uma de suas visitas o cemitério e a tumba haviam desaparecido, arrasados por uma enchente. Agora, o velho Dervish havia perdido o único vestígio deixado por um homem que havia marcado tão excepcionalmente as experiências de sua vida. O Dervish permaneceu durante horas nas ruínas do cemitério, olhando o chão fixamente. Finalmente, levantou a cabeça em direção ao céu e então, como se houvesse descoberto um significado mais elevado, abaixou a cabeça em sinal de confirmação e disse:

– Isto também passará.

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Finalmente o Dervish ficou muito velho para viajar, decidindo se fixar e viver tranquilo e em paz pelo resto de sua vida.

Os anos se passaram e o ancião se dedicava a ajudar a quem se acercava dele para os quais aconselhava e a compartilhar suas experiências com os jovens. Vinha gente de todas as partes para beneficiar-se de sua sabedoria. Finalmente, sua fama chegou até o grade conselheiro do rei, que casualmente estava buscando alguém com grande sabedoria.

O fato era que o rei desejava que lhe fizessem um anel. O anel teria de ser especial: devia ter uma inscrição de tal forma que quando o rei se sentisse triste, olhasse o anel e ficaria contente e se estivesse feliz, ao olhar o anel se entristeceria.

Os melhores joalheiros foram contratados e muitos homens e mulheres se apresentaram para dar sugestões sobre o anel, mas o rei não gostava de nenhuma. Então o conselheiro escreveu para o Dervish explicando a situação, pedindo ajuda e o convidando para ir ao palácio. Sem abandonar sua casa, o Dervish enviou sua resposta.

Poucos dias mais tarde, um anel foi feito com uma esmeralda e foi entregue ao rei. O rei, que havia estado deprimido por vários dias, mal o recebeu, botou o anel no dedo e olhando-o, deu um suspiro de decepção.
Logo começou a sorrir e, pouco depois, ria às gargalhadas.
No anel que usava estavam escritas as palavras “Isto também passará”.

Farid Ud Din Attar – Histórias da Terra dos Sufis

Li originalmente no Osho e depois no Evolu Coaching.

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A vida começa quando decidimos parar de agradar a plateia

“Bravo, Bravíssimo!” — reverencia a plateia. Aplausos. As cortinas se fecham. Sem holofotes, o protagonista se recolhe. Do figurino à cara, à coragem e à maquiagem. Longe dos palcos, a cabeça tomba no travesseiro. Percorre os bastidores dos pensamentos a se questionar: “Há quanto tempo estou interpretando o papel de agradar a todos enquanto me desagrado tanto?”

A vida é um Picadeiro

É certo que a arte imita a vida. Muitos vivem quase que exclusivamente para atender às expectativas do público, seja por uma questão de vaidade, jogo exibicionista, ou porque acreditam dever constantemente ao outro a condição de servir — sob o custo da angústia e do desespero diante da anulação da própria existência. Aquele que faz tudo para agradar a todos enquanto se desagrada sentirá, cedo ou tarde, o arrombo no peito tomado por um vazio existencial. O tempo baterá à porta e cobrará com juros e correção todo desperdício, toda infelicidade contraída.

Enquanto isso, no palco do exibicionismo… É pirueta, firula, cambalhota e o que mais for preciso para ser notado. Quanto vale o show? A vida vira espetáculo: “Olha o que sei fazer”, “Olha pra mim”. Mal sabe o exibicionista o quanto repete suas necessidades infantis acrobáticas pouco nutridas. Nas coxias, entre atos e cenas de possuir e exibir: “Quem sou eu mesmo?”, “O que me resta além do que eu exibo ter?”. Olha, não há nada mais tranquilizador do que se apresentar diante das pessoas como se é — com as qualidades e limitações que todos nós possuímos.

O cenário exuberante esconde a falta de protagonismo sobre a própria vida. Estamos vivendo para agradar à plateia, completamente desencaixados do nosso autêntico papel. Aparentando estar bem, ao passo que nos camarins de nossas verdades secretas sabemos o drama das horas que gastamos pintando a cara de palhaço feliz para satisfazer ao outro. Seria mentira? Seria loucura? Seria pintura? Seria verdade? Felicidade é bem individual, ninguém pode fazer esse papel por nós.

Uma hora a gente se cansa de se perder no caminho entre ser ou não ser. O abrir das cortinas revela o quanto é triste ver a vida passar sem que estejamos presentes. Acredito mesmo que começamos a viver quando decidimos parar de querer agradar à plateia ou, pelo menos, quando encontramos uma maneira genuína de nos agradar juntos e assumir que talvez não seja tão perigoso a gente ser feliz.

POR RUTH BORGES

Li na: Revista Bula

Não entendo o porquê de tanto repúdio de sua parte.

Não entendo como pessoas inteligentes repudiaram e ainda repudiam tanto as manifestações de ontem, seja qual for o motivo. 
Muitos não estavam lá simplesmente contra Lula e esta quadrilha (crime organizado é sim qualificada como quadrilha), ou atual governo. A grande maioria estava contra a corrupção. Independente se o corrupto é ou não do PT, PMDB, PSDB, PSOL, PTB, PTT, PCdoB ou PQP…

Não vamos pagar o pato.

Não Vou Pagar o Pato – Diga Não ao Aumento de Impostos – Campanha FIESP

Estamos muito insatisfeitos e o motivo é bem simples:
Queremos um país melhor, sem essa corja de ladrões e aproveitadores que já vem de tempos, que não se limitam apenas à política, e que estão por toda a sociedade, por todos os lados. Apoiamos o renascimento da Nação, da sociedade, do ser humano, com uma revisão dos costumes, do jeitinho brasileiro, do errado que é tido como certo, do fácil, do caminho mais curto…

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Pixuleco no mar verde e amarelo.

Não é possível que vocês, como pessoas inteligentes e cultas, concordam com tudo que vem ocorrendo. E que tudo isso sendo manipulação da imprensa ou não, não há como discordar que fatos são fatos.
E finalmente, não é possível que pessoas inteligentes, depois de tantas denúncias não deem o benefício da dúvida, ou ao menos sejam menos militantes e mais humildes, imaginando junto comigo, em um exercício que vai libertar sua alma: 

  • Sim, todas ou boa parte dessas denúncias podem ser verdadeiras; 
  • Sim tudo que um dia você acreditou pode ser mentira;
  • Sim, eles podem ter te manipulado até hoje;
  • Sim, você pode também ser contra essa cultura de quem é esperto, sempre leva o melhor e ir pra rua protestar contra o atual quadro que estamos assistindo em nossa sociedade, 
  • Sim, o Socialismo e Comunismo podem ainda não ser a saída, o ser humano ainda pode não estar pronto para viver em um regime Social/Comunista quando ainda existe este imenso desejo de CONSUMO enraizado nas pessoas, inclusive em você também, afinal, quem está pronto à deixar o seu iPhone de lado, perder as sérias do Netflix, TV a Cabo ou Fibra, Carro do Ano, McDonald’s ou outros Junkies, Cineminha com amigos, viagens para o exterior, etc, etc, etc, e finalmente, 
  • Talvez, apenas Talvez Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e salvadores da Pátria não existam mesmo.

Por Andressa Sousa Makarovsky.

O que não fazer em 2016 para ter um bom ano novo

Por: Fernanda Young

Roteirista de séries como Os Normais, Fernanda Young preparou uma lista de coisas que você precisa deixar para trás em 2015.

  • Não repetir os mesmos erros. Ano novo, erros novos. Burrices, todo mundo faz, mas pouca gente sabe aprender com elas. Figurinhas e burrices: troque as repetidas.
  • Não tirar selfie fazendo bocas que você não faz quando não faz selfie.
  • Não trollar os posts dos outros, aproveitando o anonimato da internet. É feio. Mais feio que qualquer foto feia. Lembre-se da lei do karma: tudo que você faz volta para você, algum dia.
  • Não comprar uma coisa só porque é tendência. Tendências tendem a desaparecer rapidamente e as pessoas tendem a ficar ridículas usando tendências.
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  • Não mandar nude a troco de nada. O ideal seria não mandar nudes antes da pessoa ter visto você “nude” pessoalmente. E lembre-se que a internet é que nem tatuagem: depois que botou não tem como tirar.
  • Não colocar a culpa de tudo nos outros. Mesmo sabendo, como nós sabemos, que a culpa de tudo é dos outros mesmo.
  • Não empurrar as coisas com a barriga. Aliás, não ter barriga para empurrar as coisas seria um conselho melhor ainda, mas está provado que as barrigas vieram para ficar e barriga negativa é pura ilusão de ótica. Barrigas são positivas — apenas cuidado para não exagerar na positividade.
  • Não exigir demais de você. Mas também não exigir de menos.
  • Não deixar que a preguiça atrapalhe seus planos. Ela vai vir, e vai tentar de tudo para te convencer, mas você tem que ser forte. Desistir é sempre mais fácil, mas a facilidade é a morte da paixão.
  • Não fazer barulhos que atrapalhem a vida dos outros. Nosso mundo anda muito barulhento, cultive um pouco de silêncio. Cuidado, especialmente, com a tentação de fazer obras desnecessárias em seu apartamento. Perturbar o vizinho é sabotar a própria paz.
  • Não fazer cobranças (a menos que você trabalhe no departamento de cobranças de uma empresa). Todos reagimos de maneiras diferentes às coisas, aí que está a graça da coisa. Se você espera que as pessoas reajam como você reagiria, pode se preparar para se decepcionar diariamente. Quando você cobra uma atitude de alguém, você perde a razão e uma boa oportunidade para ficar calado. Cada um tem seu jeito, e seu tempo.
  • Não se levar muito a sério. Saiba encontrar a graça até na própria desgraça, ela está lá em algum lugar. Você vai ter dias bons e dias ruins, como em qualquer outro ano, então não estresse mais do que o necessário para o choppinho. Toda tragédia, depois de um tempo, vira comédia.
  • Não ficar checando o celular, quando estiver com alguém. Se a pessoa com quem você está não é interessante, não esteja com essa pessoa. Aliás, qualquer pessoa ao vivo, na sua frente, é mais interessante que qualquer post interessante — basta olhar direito.
  • Não ter medo de experimentar coisas novas. Por mais que você conheça, você não conhece quase nada. O mundo é absurdamente imenso, as possibilidades são infinitas. Ficar preso ao que você já conhece é se fechar para a maravilhosa imprevisibilidade da vida.
Fernanda Young
  • Não se auto-sabotar. Você é o pior inimigo que você pode ter. E nosso pequeno sabotador interno se aproveita de momentos de crise para detonar nosso amor-próprio. Saiba diferenciar auto-crítica de auto-trollação.
  • Não defenda ideias em que você não acredita. Seguir a opinião dos outros é a maneira mais rápida de não fazer diferença. Faça diferença, é para isso que você está aqui. Tenha a sua própria opinião, é saudável e grátis.
  • Não guarde rancor. Se tiver algum guardado, recicle. Rancor reciclado se transforma em energia.
  • Não vacile com os outros. As pessoas contam com você e vacilar com elas seria péssimo. Dê o melhor de você em tudo, é a melhor receita para não ter insônia de noite.
  • Não engula sapos. Sapos tem glúten, mesmo os orgânicos, com sotaque de Minas. Sabe aquela gosma em volta dos sapos? É gordura-trans. Sapos engolidos triplicam o colasterol. Enfim, invente qualquer besteira como essas, mas não engulam sapos. Não mais. Resumindo, a principal coisa para não fazer em 2016 é 2015.

Feliz 2016! Seja feliz em 2016!

Fonte: https://medium.com/itau/o-que-n%C3%A3o-fazer-em-2016-para-ter-um-bom-ano-novo-93d8b070b695#.9p1bjatnn

Cuidado com os burros motivados

Em Heróis de verdade, o escritor combate a supervalorização da aparência e diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima. A revista Isto é publicou esta entrevista por Camilo Vanucci, achei incrível, vale a pena a leitura e reflexão.

roberto_shinyashiki_tudo_o_que_um_sonho_ol“Cuidado com os burros motivados”
Roberto Shinyashiki

Observador contumaz das manias humanas, Roberto Shinyashiki está cansado dos jogos de aparência que tomaram conta das corporações e das famílias. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o que imaginam que deve ser dito. Num teatro constante, são todos felizes, motivados, corretos, embora muitas vezes pequem na competência. Dizem-se perfeccionistas: ninguém comete falhas, ninguém erra. Como Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) em Poema em linha reta, o psiquiatra não compartilha da síndrome de super-heróis. “Nunca conheci quem tivesse levado porrada na vida (…) Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi senão príncipe”, dizem os versos que o inspiraram a escrever Heróis de verdade (Editora Gente, 168 págs., R$ 25). Farto de semideuses, Roberto Shinyashiki faz soar seu alerta por uma mudança de atitude. “O mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras.”

O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional.
Em “Heróis de Verdade”, o escritor combate a supervalorização das Aparências, diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.

ISTOÉ – QUEM SÃO OS HERÓIS DE VERDADE?

Roberto Shinyashiki — Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados.
Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa.
Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

ISTOÉ — O SR. CITARIA EXEMPLOS?

Shinyashiki — Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos,empregado em uma farmácia.
Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem.
Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito “100% Jardim Irene”.
É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana.
Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.

ISTOÉ — Qual o resultado disso?

Shinyashiki — Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece.
A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

ISTOÉ – Por quê?

Shinyashiki — O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência.
Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei-a na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTOÉ — Há um script estabelecido?

Shinyashiki — Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um Presidente de multinacional no programa O aprendiz ? “Qual é seu defeito?” Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal:
“Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar”.
É exatamente o que o Chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder.
O vice-presidente de uma as maiores empresas do planeta me disse: ”Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir”. Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?

ISTOÉ — Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?

Shinyashiki — Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência.
CUIDADO COM OS BURROS MOTIVADOS. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia.
O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

ISTOÉ — Está sobrando auto-estima?

Shinyashiki — Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa.
Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer.
As pessoas parecem que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem.
Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

ISTOÉ — Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?

Shinyashiki — Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis.
Quem vai salvar o Brasil? O Lula. (Ou Aécio?)
Quem vai salvar o time? O técnico.
Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta.
O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia:
“Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham”.
Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo.
A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

ISTOÉ — O conceito muda quando a expectativa não se comprova?

Shinyashiki — Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula (ou a Dilma) em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.

ISTOÉ — Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?

Shinyashiki — Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos).
Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros.
Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo.
Um amigão me perguntou: ”Quem decidiu publicar esse livro?”
Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.

ISTOÉ – Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?

Shinyashiki — O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las.
São três fraquezas.
A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança.
Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates.
O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

ISTOÉ — Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?

Shinyashiki — A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade.
A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais.
A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias.
A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo.
Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe!
Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.
Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema.
Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: “Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz”.
Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas.
Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida .

Vi Aqui: ISTO É

Mais um novo favorito – Youtube

Novo Favorito

Iniciando um novo segmento no blog, esse é um post da “catigoria” MAIS UM NOVO FAVORITO!

Acabei de encontrar no Youtube, e sem querer um canal que se chama Best Song, quanto estava vendo um vídeo favorito antigo da Nina Simone, e este terminou e começou um novo. Este novo se chama: “NINA SIMONE – Greates Hits Full Album | Best songs of Nina Simone”, pensei, oi? Como Assim? Meus Deus, como não descobri isso antes?

Tão logo cliquei no inscreva-se e já fui averiguar o que me aguardava.

O canal parece um novo canal, com o post mais antigo de 4 meses atrás (vamos torcer para que os direitos autorais não reclamem deste canal *fingers crossed*), e tem apenas 5 álbuns postados:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esse canal é puro amor, gente, claro que existem outros de best songs por aí, mas um que tenha Nina, Etta, Michael, George e David juntinhos assim, merece um post de Novo Favorito!
Por favor, Enjoy! <3

Se o dinheiro não existisse?

Se o dinheiro não existisse? #repost

watts

“Melhor ter uma vida curta que está cheia do que você curte fazer do que uma vida longa gasta de um jeito miserável. E, no fim das contas, se você realmente gosta do que faz, não importa o que seja, você poderá eventualmente se tornar um mestre daquilo. A única maneira de se tornar um mestre em algo é você estar realmente naquilo
”.
~ Alan Watts, em “What If Money Was No Object?

“O que mais me surpreende na humanidade são os ‘homens’. Porque perdem a saúde para juntar dinheiro. Depois, perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem-se do presente de tal forma que não vivem nem o presente, nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer… E morrem como se nunca tivessem vivido.”

Dalai Lama

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Ladrões de Energia

*Ensinamentos de Dalai Lama

1. Afaste-se daquelas pessoas que só chegam para compartilhar queixas, problemas, histórias desastrosas, medo e julgamento dos outros. Se alguém procura uma lata para jogar o lixo que tem dentro, que não seja na sua mente.

2. Pague as suas contas a tempo. Ao mesmo tempo, cobre aqueles que te devem ou escolha deixar para lá, se você já percebeu que é impossível receber.contas

3. Cumpra as suas promessas. Se você não cumpriu alguma, pergunte-se o porquê desta resistência. Sempre você tem o direito de mudar de opinião, de se desculpar, de compensar, de renegociar e de oferecer outra alternativa diante de uma promessa não cumprida, mesmo que já um costume. A forma mais fácil de evitar o não cumprimento de algo que você não quer fazer é dizer “NÃO” desde o começo.

4. Elimine, dentro do possível, e delegue aquelas tarefas que você prefere não fazer, dedicando o seu tempo àquilo que, sim, você desfruta fazer.

5. Dê permissão a você mesmo para um descanso, quando você estiver em um momento que o necessite e dê permissão a você mesmo para agir quando estiver em um momento de oportunidade.

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6. Dê prioridade à sua saúde, sem a máquina do corpo trabalhando ao máximo, você não pode fazer muito. Tome tempo para perceber o que seu corpo está te dizendo.

7. Jogue fora, recolha e organize… nada te tira mais energia que um espaço desordenado e cheio de coisas do passado que você já não necessita.

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8. Enfrente as situações tóxicas que você está tolerando, desde resgatar um amigo ou um familiar, até tolerar ações negativas de um companheiro ou um grupo. Tome a ação necessária.

9. Aceite. Não é resignação, mas nada te faz perder mais energia que o resistir e brigar contra uma situação que você não pode mudar.

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10. Perdoe… deixe ir uma situação que está te causando dor… você sempre pode escolher deixar ir a dor da recordação.

Fonte: The Secret TV